Lembranças, perguntas e respostas
A cada momento sublime da vida eu me calo. Algumas vezes preciso gritar, mas contenho-me. Na calmaria de um quarto me prendo em pequenas ilusões. Transcrevo minha mente para o ambiente e olho em volta. Vejo cantos de descobertas e memórias. Observo o pequeno poster colado à parede e anseio pela volta. Relembro o passado, aquele que insiste em voltar e atormentar. Queria que passasse, que fosse fácil deixar de sentir. Quem dera fosse assim, simples como escolher beber no copo menor ou maior. Decidir por água ou vinho. Escolher que livro ler ou filme assistir. Quem dera.
Momentos são pra sempre. O tempo leva e abriga-os em um lugar seguro que ao menor toque de lembrança retorna com toda a força e faz doer lá no fundo. Uma perda proposital ou sem querer. Não importa qual delas seja. As vezes faz com que achemos um erro em nossa vida, as vezes faz com que perguntemos o porquê. Do erro tiramos o tão doloroso aprendizado, e assim não voltamos a cometer. Da pergunta maldita mais uma vez chegamos numa resposta que persiste em vir, e que por mais que queiramos que se defina em explicação ela se remete mais uma vez em uma pergunta completamente sem resposta. A resposta da pergunta é outra vez a falta dela. Não existe um porquê. De fatos em fatos em nossa vida, de ações em ações vividas, chegamos a essa conclusão perturbadora. Não há porquês para algumas perguntas, e por mais sofrido que seja, sempre será assim. Apenas nos resta viver.
Gustavo Gaspar


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